Em uma auditoria realizada, observei que o auditado estava visivelmente insatisfeito com alguma situação no local de trabalho. Isso ficava evidente em função das respostas que ele fornecia durante a auditoria.Quando tive uma oportunidade, perguntei-lhe o motivo da insatisfação. Ele disse que a empresa criou um programa de reconhecimento onde os funcionários poderiam inscrever trabalhos que tivessem criado e que gerassem algum benefício para a empresa. Bom, o trabalho dele não foi selecionado e ele estava desconsolado. Ele disse que foram inscritos trabalhos que permitiriam a empresa economizar centenas de dólares, porém o trabalho dele não propiciava nenhuma economia direta para a empresa. Ele havia desenvolvido um programa de computador que não faria a empresa economizar centenas de dólares, mas permitira que outros funcionários economizassem tempo em várias atividades no setor de trabalho dele. Conversando ainda com algumas pessoas (sem a presença deste) que usavam o programa que ele desenvolveu, elas confirmaram que o programa estava sendo realmente muito útil e que evitava o deslocamento das pessoas de uma seção do setor à outra, poupando o tempo das mesmas. E todas estavam satisfeitas com o sistema desenvolvido.
Eu tinha perguntado ao funcionário que desenvolveu o sistema se a indicação dele para o tal programa de reconhecimento daria a ele um aumento de salário ou uma gratificação financeira qualquer. A resposta dele foi: - Não.
Bom, podemos observar que esse funcionário é uma pessoa inovadora. Ele detectou um problema em sua seção e desenvolveu um sistema para eliminar esse problema. Tudo bem, o sistema dele não fará a empresa economizar centenas de dólares, mas o setor dele economizará muito tempo de HH (homem-hora) e como dizem que tempo é dinheiro é só fazer as contas. Além disso, o sistema foi desenvolvido para resolver um problema que todos os outros funcionários reclamavam: Deslocamento excessivo para fazer determinadas atividades.
Provavelmente a empresa não ganhará muito com o programa que ele desenvolveu, mas o setor dele com certeza ganhará.
De tudo isso, tem uma coisa que realmente não consegui entender. Se a empresa não terá ônus nenhum em reconhecer o trabalho inovador de um funcionário, independente desse trabalho gerar ou não uma economia direta para a empresa, o que custaria a ela fazer esse reconhecimento?
É assim amigos que se mata a criatividade. Não reconhecer o espírito inovador, empreendedor das pessoas quando as atividades desenvolvidas por elas não geram lucro imediato. Nesse mercado imediatista, é tudo ou nada e agora.
Não reconhecer o caráter inovador é uma das maneiras mais rápidas para ceifar a motivação e a criatividade das pessoas.
Um final feliz.
Um ano após essa auditoria, outra foi realizada nesta mesma empresa.
O funcionário desmotivado havia pedido demissão. Ele deixou alguns amigos com quem ainda matinha contato. Um desses amigos disse que agora ele é gerente de um departamento em outra empresa. Ele havia entrado na nova empresa na mesma função que exercia na empresa anterior. Nesta nova empresa, diante de um problema, ele deu uma sugestão que revolucionou alguns setores da empresa, pois o problema da empresa era de uma abrangência maior.
Preciso dizer mais? Provavelmente se a empresa em que ele trabalhava antes tivesse percebido o potencial dele e o tivesse colocado em uma posição mais estratégia, talvez ele tivesse desenvolvido um programa que fizesse a empresa economizar algumas dezenas de milhares de dólares e não apenas algumas centenas de dólares.
1 comentário para “Matando a Criatividade e a Motivação”
Ainda existem pessoas que não se atualizam na velocidade da evolução,é o que acontece principalmente dentro de empresas com idéias obsoletas de Recursos Humanos. Essas podem até continuar no mercado, porém estão comprometidas com o sucesso e seriamente ameaçadas pela concorrência. Milena Spinelli - especializanda em Gestão de Pessoas